NOTA DE REPÚDIO – 13/05/2026
A Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (ABIV), entidade que representa o Polo do Bom Retiro, em São Paulo, e empresas do segmento do vestuário de diferentes estados, repudia a decisão anunciada pelo Governo federal de extinguir a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida como “taxa das blusinhas”.
Grande parte dos produtos comercializados no Polo de Moda do Bom Retiro está justamente na faixa de preço afetada pela medida, abaixo de US$ 50, o que torna a concorrência com plataformas estrangeiras ainda mais direta e sensível para o setor.
Hoje, cerca de 95% das confecções do Polo são pequenas e médias empresas. A região movimenta R$ 5,3 bilhões por ano na produção de vestuário, fabrica 50,5 milhões de peças anualmente e concentra 19,4 mil trabalhadores em um único bairro da capital paulista. A grande maioria das empresas opera em formato de loja, 93,2%, e possui produção própria, 97%.
Ao beneficiar tributariamente as plataformas estrangeiras no acesso ao mercado nacional, o governo sacrifica empresas brasileiras, sobretudo as micro e pequenas, que produzem, empregam, investem, convivem diariamente com custos tributários elevados, juros altos, despesas logísticas e um ambiente regulatório complexo e sustentam a arrecadação do país.
Aos consumidores, um convite à reflexão. Ao optar por produtos importados sem a mesma carga tributária e sem o mesmo nível de exigências regulatórias, quem perde é o Brasil: são menos empregos, menos investimentos, menor arrecadação e menos oportunidades para milhões de brasileiros.
A ABIV seguirá atuando com firmeza junto ao Congresso Nacional e às autoridades competentes em defesa da isonomia competitiva, para assegurar que empresas nacionais e estrangeiras estejam sujeitas, no mínimo, às mesmas regras e condições de competição.
Cinthia Kim | Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (ABIV).






