Do início em uma pequena loja no Bom Retiro à consolidação da Namine como marca própria no mercado B2B, Lucas Ju Seok Kim acompanhou de perto as transformações do setor ao longo de mais de 30 anos. Nesta edição, ele compartilha aprendizados dessa trajetória e fala sobre os desafios de empreender, atrair clientes e manter uma marca competitiva em um mercado em constante transformação.
1. Como começou a história da sua loja no Bom Retiro?
A Namine nasceu em 1995, em uma loja dentro da Galeria Antártica, onde permaneceu por três anos. Depois, passamos a trabalhar com Private Label durante quatro anos, em uma fábrica fechada sem loja. Desde então, atuamos com marca própria com foco no B2B.
2. Quais os maiores desafios de ser confeccionista / lojista hoje?
Um dos principais desafios é ter assertividade nos produtos, acompanhando as demandas e tendências do mercado, preservando a identidade da marca. Isso é fundamental para manter as vendas e a receita.
Também temos os desafios da gestão administrativa, que envolve questões tributárias, financeiras e de RH, entre outras, e da gestão comercial, a exemplo da atuação no PDV, seja on-line ou híbrida, e do marketing.
A aprendizagem sempre vem acompanhada de desafios. Por isso, buscamos novas estratégias sempre.
3. O que tem funcionado melhor para atrair clientes para sua loja hoje?
Digitalmente falando, sem dúvida o marketing digital e as redes sociais. Mas, desde que os produtos estejam preparados em termos de qualidade, variedade e preços.
No físico, o melhor marketing continua sendo a indicação dos próprios clientes.
4. Qual conselho deixaria para quem está começando agora?
Quem sou eu para dar conselhos se continuo sendo desafiado e “apanhando”? [risos]. Mas acredito em alguns pontos:
Primeiro, procurar um nicho do mercado e definir o conceito da marca, além de definir se vai atuar no B2B, B2C ou ambos. Também é importante decidir se o negócio será uma marca ou uma fábrica, porque isso pode definir a gestão administrativa e planos de produção e revenda. Considero ainda fundamental estudar administração, sobretudo gestão administrativa, tributária, financeira e de produção.
5. Quem ou o que te inspira a continuar no dia a dia?
Continuar no dia a dia significa que necessitamos de paciência, determinação e coragem. Nossas empresas e confecções merecem reconhecimento pelos esforços de manter suas operações em funcionamento.
Por outro lado, desde que comecei a trabalhar nesse ramo, sempre vi o setor enfrentar mudanças radicais e desafios muito difíceis, a exemplo do enfrentado na pandemia. E, mesmo assim, vemos marcas que conseguem superar esses momentos e crescer mais do que nunca. Gosto de estudar esses exemplos, como o da Shoulder, que também nasceu no Bom Retiro.
Sou grato por continuar me desafiando a encontrar as melhores soluções para as nossas dores, mesmo com dificuldades.
6. Como você acredita que a ABIV pode apoiar ainda mais os lojistas do bairro?
Acho muito interessantes as palestras promovidas pela ABIV sobre diferentes assuntos, como reforma tributária, além das pesquisas de mercado que a Associação está realizando. Está de parabéns!
Também acredito em ações de marketing digital, como as parcerias com influenciadores para a apresentação das marcas. Para o Bom Retiro permanecer forte no mercado, precisamos fazer nascer várias marcas, e não várias fábricas. Vejo que a ABIV já está trabalhando nesse sentido por meio de sua iniciativa “Um Bom Retiro”. 👏
Outra grande questão é a falta de mão de obra. Seria interessante se a ABIV pudesse atuar como uma fonte de currículos ou até como um centro de treinamento de profissionais das áreas de marketing, TI, vendas e consultoria, inclusive por meio de parcerias com instituições como o SENAI.








